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DIA DA TOLERÂNCIA

DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

(Tolerar não significa concordar)

Esta semana foi totalmente dedicada à Tolerância, cujo dia internacional (16 de novembro) foi instituído pela ONU ante a Declaração de Paris conforme Resolução 51.95 de 12 de junho de 1995. A data, entretanto, para suas festividades, vem em comemoração à Declaração dos Direitos dos Povos, isto é, 16 de novembro de 1945 que reafirmou sua “fé” nos Direitos Humanos fundamentais, pugnando pela dignidade e valor do ser humano, buscando poupar as gerações das guerras por questões culturais. Assim, há de se incentivar a prática da tolerância provocando a convivência pacífica.

Consideraram, assim, Direitos básicos das gentes: a vida, a igualdade, a dignidade, a segurança, a honra, a liberdade e a propriedade.

Hoje, como Direito à dignidade humana, postulam-se no Mundo, mais do que nunca, os direitos pregados pelo movimento LGBT, como forma única de dignidade, buscando em todas as camadas sociais, usando de todos os campos de divulgação (cinema, TV, teatro, artes plásticas) que haja tolerância de todos. Deixam, entretanto de pugnar pelas outras camadas de minorias e ainda de raças, povos, credos, religiões e outros que também buscam o reconhecimento de seus direitos básicos e o respeito.

Sim, merecem respeito e tolerância, muito embora possa haver exageros nessas buscas, manifestando-se com erros e deformações morais e religiosas que atacam desrespeitosamente a título de arte.

É preciso que a manifestação a que todos tem dirito, venham em bases civilizadas e respeitosas, em nível de alto padrão artísticos, cultural, educacional.

Quero falar da novela “FORÇA DO QUERER” (Deixando de lado a baixaria do ator nu e uma criança que com ele se interage com o apoio da mãe). Esta novela récem exibida discutiu o tema dos transgêneros.

Chamados por muitos de transsexuais, a permitir, inclusive, intervenção médica para a transição de sexo de um para outro; falou-se de pessoas que não são exclusivamente masculinas ou femininas, ou seja bigêneros ou agêneros. Outros os chamam de terceirogêneros que não adoto, vendo nele um termo pejorativo a tais seres humanos (Isso é respeito).

Dizem mais que tais pessoas podem se identificar como heterossexuais, homossexuais, bissexuais, pansexuais, ou assexuais. Podem também de distinguirem como intersexo – pessoas nascidas com características de sexo físico, porém, não se encaixam tipicamente nos corpos masculinos ou femininos. Daí o grande mal: Enfrentam discriminação no trabalho, nas acomodações públicas. São discriminados onde quer que se apresentam. Não se lhes dá proteção (nem se fala quanto ao respeito ou tolerância).

Sim, no tocante a essa falta de amor ao próximo, que considero maior que tolerância, a novela em questão mostrou os sofrimentos desses seres humanos, dentro, principalmente, de suas próprias famílias… Mas, a novela cometeu um, para mim, um erro grasso nessa teoria. A personagem Ivana/Ivan, que seria um homem nascido no corpo de uma mulher, somente sentiu-se feliz somente quando assumiu sua condição “trans”. Sim, ela se sentia ele, daí o grande erro no desenvolvimento da tese. Se ela era ele, haveria sim, como homem, gostar de mulher, entretanto, gostava de homem, não se sentindo atraída por mulheres a quem até repudiava. Dizendo-se homem (Ivan) chegou a engravidar-se de outro homem. Grávida, dizia-se “grávido”.

Submeteu-se, ao final, à cirurgia inicial para a mudança de sexo, uma “mastectomia” ou também chamada “Mamectomia” (extirpação dos seios).

Quanto ao tema em si, os psiquiatras e psicólogos se divergem; uns dizem da predisposição de gênero interno, bem como as expectativas sociais como atitudes normais da sua opção; outros, por ouro lado, falam em patologias psíquicas a recomendar tratamento psicológico. Fico, com o devido respeito às divergências, como doença psíquica, entendo que Deus não erra!

A alma é um espírito imortal e assexuada (Como disse Jesus, no Paraíso não há sexo, ninguém é dado em casamento; são como anjos). Ao implantar em cada ser humano essa alma imortal, a coloca no corpo físico masculino ou feminino. Deus não cometeria o erro de fazer um corpo masculino ou feminino, sentirem sentimentos opostos. O homem, ao criar aquele ser, sim, o educa erroneamente (Assunto para outra crônica).

Seja como for, doença ou não, o respeito há de se fazer presente, vivendo cada qual a vida que escolheu ou desejou. Mas, que lembrem-se de que o seu direito termina onde começa o do próximo que também há ser respeitado.

Há de se respeitar, sim, para que haja paz e equilíbrio social, o que não significa dizer concordar, porém, não guerrear.

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O HOMEM DESCALÇO E O VISCONDE DE GUAÍ

O Historiador Capistrano de Abreu, nascido no Ceará em 1853, faleceu no Rio de Janeiro em 1927. Culto, conhecedor profundo da História Pátria, de vasta cultura geral, erudito, de hábitos simples, sem vaidades, era um exemplo de simplicidade e modéstia; apreciava permanecer em sua casa sem paletó e gravata, sem colarinho e ainda com as mangas da camisa arregaçadas e descalço.

Muito amigo do Conselheiro Ferreira Viana, sempre o visitava em sua Chácara, na Gávea, Rio de Janeiro. Como era o seu costume, dormia num catre de jacarandá que pertenceu ao Convento de Santo Antônio e que fora usado pelo ilustre orador Frei Bastos. Levantava-se bem cedo e se encaminhava para a cachoeira, tomando um saudável banho. Após o desjejum, muito estudava e lia.

Numa destas visitas, à tarde, o Visconde de Guaí chegou à Chácara para visitar Ferreira Viana. Capistrano encontrava-se no jardim e foi atendê-lo. Não só o encaminhou à sala de visita como pôs-se a acompanhá-lo. Na sala, sentou-se, tal como se encontrava: Sem paletó e gravata, sem colarinho, com as mangas da camisa arregaçadas e descalço… O Visconde olhava para ele com indisfarçável incômodo, como mais tarde revelou a Ferreira Viana, conjeturando:

Quem é esse homem? Insolente e sentar-se à minha frente nestes trajes? Será o jardineiro? Estará bêbado? Um louco? Que ousadia! Fazer-me a sala, pondo-se a conversar!

De repente, avisado, Ferreira Viana entra na sala e cumprimenta o ilustre visitante e o abraça. O Visconde Guaí olha novamente para Capistrano de Abreu que ali permanecia a sorrir. O Visconde fala no seu interior:

Que diabo! Esse jardineiro vai ficar aí? É o cúmulo!

Nisso Ferreira Viana, em palavras que mostravam todo o seu contentamento, apresentou-lhe o “jardineiro”:

Visconde, amigo meu! Aqui está o nosso grande historiador Capistrano de Abreu que honra-me, tal qual o amigo, com a sua visita!

RUY BARBOSA

(O Águia de Haya)

Ruy Barbosa, filho de João José Barbosa de Oliveira e Maria Adélia Barbosa de Oliveira, nasceu em Salvador no dia 05 de novembro de 1849. Era Acadêmico de Direito em Recife, quando se transferiu para São Paulo, bacharelando-se pela Faculdade do Largo do São Francisco em São Paulo, Capital.

Faleceu em 1 de março de 1923, contando 74 anos, tendo sido Deputado Estadual, Senador, Ministro da Fazenda, Diplomata e grande Orador.

Em 1907, para a Conferência Mundial de Haya (Holanda), o Barão do Rio Branco, então Ministro do Exterior, o convocou para representar o Brasil, chefiando a Delegação Brasileira. Discutir-se-ia questões como as relações entre os povos, substituindo a violência pelo diálogo; a não intolerância; a paz entre as Nações.

Em Haya, Ruy fugia dos encontros sociais (“badalações”), não sacrificando horas de estudos. Recolhido em seus aposentos, preparava-se para os debates e teses que defenderia. Era, portanto, criticado pelo jornalista inglês Willian Stead que o cobria de ridículo, chamando-o, inclusive, de “Doutor Verbosa”, caçoando de sua verbosidade.

Foi no dia 12 de julho de 1907 (chuviscava), no Palácio dos Cavaleiros. De Martens, o Organizador e Presidente da Conferência, poderoso, culto, venerado por todos, que representava o pensamento internacional do Czar de todas as Rússias, mas deselegante, quase de costas, ouvia ao discurso de Ruy Barbosa que falava sobre as presas marítimas. Ainda, outros Embaixadores liam jornais, conversavam, riam, provocavam a indagar se o Brasil existia no mapa.

Ruy falou durante 30 minutos e ao findar, De Martes, ainda virado para o outro lado, disse:

O memorial do nobre Embaixador do Brasil constará dos processos verbais, observando, porém que a política não é da alçada da Conferência!

O Embaixador Brasileiro empalideceu, mas calmo e sereno disse em francês:

Je demande la parole!

(Eu peço a palavra!)

O incidente desperta a atenção de todos. Ruy não possuía o porte de um diplomata como Joaquim Nabuco e Rio Branco. Raquítico, 1,50 de altura, cabeçudo, feio, exótico; enfrentaria De Martens, logo ele, um desconhecido e de um país desconhecido.

Ruy (em francês corretíssimo) fala sobre a política prática, e, a razão do Estado. Dá uma aula impecável de Direito Internacional. Fala da lógica irretorquível na sua erudição; fala do sofisma de De Martens de que a política estava abolida da Conferência. Aos poucos esmaga o Presidente até aniquilá-lo de todo. Ruy usa de uma linguagem elevada, elegante e polida, tanto quanto arrasadora.

O silêncio é total, ninguém mais conversava ou lia jornais. Embasbacados ouviam o maravilhoso discurso, esplêndido e oportuno. Indaga Ruy:

Há alguma coisa eminentemente política do que a soberania? Não estamos aqui para restringir e delimitar? Como afirmar sem distinguir que a política nos é vedada nas suas acepções?

Ruy fala em tom sereno, irrespondível, mantendo em si os olhos estupefatos de De Martens e congressistas. Ruy acaba de explodir sua bomba de sabedoria, arrasando o orgulho e o preconceito, a má vontade e a ignorância em relação ao Brasil e seu Embaixador.

Encerra a fala ante o pasmo geral que não permite uma palma. Apenas o silêncio mais expressivo que ovações.

Brow Scott, Delegado dos Estados Unidos comenta:

É o Novo Mundo que se faz ouvir pelo Velho!

Pela tarde, do mesmo dia, os jornais estampam as palavras do então chamado “Águia de Haya”.

Era o ano de 1953, dia 19 de junho. Tinha eu apenas 11 anos de idade, cursando o 4o. ano primário. Entretanto, lembro-me perfeitamente da comoção social que acontecera com a execução penal, por “cadeira elétrica”, do casal Julius e Ethel Rosenberg, acusados pelas autoridades norte americanas de alta traição, mediante a entrega aos russos do “segredo da bomba atômica”.

À época, o mundo discutia a falta de clareza na culpabilidade do casal, pedindo a suspensão do ato; pedidos que vinham aliado a Governos de toda a terra, inclusive o Papa Pio XII e intelectuais. Nada adiantou!

Até hoje, passados 64 anos, ainda se discutem as provas apresentadas além de que, houve excesso de pena posto que Harry Gold, o mensageiro de Klauss Fuchs que forneceu aos soviéticos informações sobre as armas, foi condenado em 15 anos; Morton Sobbel foi condenado a 17 anos e 9 meses, mesmo tendo admitido que era espião e que aliado a Julius conspirara com os soviéticos, entregando-lhes informações militares e industriais de alto valor confidencial, negando tê-lo feito quanto à bomba atômica.

Julius tinha 35 anos (nascido em 12 de maio de 1918); Ethel 38 anos (nascida em 25.09.1915). Deixaram 2 filhos: Michael Meeropol e Robert Meeropol, eis que adotados pelo professor e compositor Abel Meeropol e sua mulher Anne. Eram imigrantes judeus cujos pais trabalhavam em lojas do Lower East Side. Julius estudou na Escola Leward Park quando passou a liderar a Liga Jovem Comunista e conheceu Ethel. Ele se formou em engenharia elétrica e ingressou no Exército como técnico de radar. Ethel era cantora e aspirava ser atriz, embora trabalhasse como secretária em uma companhia de navegação.

Conta o ex-agente Alexander Feklison da NKVD que Julius fora recrutado pela KGB, pelo espião Semyon Semeyonov, alto oficial do Partido Comunista nos Estados Unidos. Ao voltar, entretanto, à Rússia, em 1944, Julius foi trabalhar com o seu substituto Feklison que lhe entregou milhares de documentos do Conselho Consultivo Nacional da Aeronáutica, inclusive desenhos do P-u80 Shooting Star (Avião da Lokeheed).

Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos era aliado dos russos contra a Alemanha Nazista, mas, não confiavam em Josef Stalin, mantendo-o sob suspeita, e, assim não partilhavam com ele de informações estratégicas.

Após a Guerra, continuaram a proteger seus segredos militares, mas a União Soviética tinha, por si só, capacidade de produzir armas atômicas, isto em 1949.

Em 1950, os Estados Unidos descobriram que Klauss Fuchs havia passado documentos secretos aos soviéticos.

As investigações chegaram ao casal Rosenberg que foi preso, e defendido pelo advogado Emmanuel Hirsh Block. A principal testemunha foi David Greenglass, irmão de Ethel.

A mídia voltou toda sua atenção para o caso, não levantando dúvidas da culpabilidade dos Rosenberg, mas o Jornal The National Guardian, de tendências esquerdistas, levantando dúvidas a favor do casal, os defendeu, acusando os julgadores de “anti-semitismo”. O vencedor do Premio Nobel, Jean-Paulo Sartre chamou o julgamento de “linchamento legalizado”. A ele se uniram Albert Einstein, Dashiiell Hammett, Harold Urey (ouro Nobel), chamando de o novo “caso Dreyfus”, Jean Cocteau, Diego Rivera e Frida Kahlo.

Em maio de 1951, Pablo Picasso escreveu ao Jornal francês, L’Humanitê, denunciando que havia um crime contra a humanidade em andamento, que precisava ser interrompido; Pio XII condenou a execução, pedino sua suspensão.

Falhas no processo foram denunciadas. Nada adiantou.

Executados, seus restos mortais foram levados ao Cemitério Welwood, em Pinelawn, New York.

O mundo não esquece, havendo, até hoje, estudiosos que se debruçam sobre o processo, levantando dúvidas da culpabilidade do casal Rosenberg.

O mundo ainda pergunta: Culpados ou inocentes?

TIBETE (Funeirais)

T I B E T E

(Funerais)

O Tibete situa-se numa região de planalto da Ásia, ao Norte da Cordilheira do Himalaya, habitado por tibetanos, mompas, lhobas e chineses han e hui. É a Região mais alta do Mundo, com média de 4.900 metros de altitude, recebendo, por isso, o nome de “teto do mundo”.

Sua Capital é Lhosa. A população é formada por aproximadamente três milhões de pessoas. A área é de 1.228.400 Km2.

Disputado pela China, é, porém, independente. De 1640 a 1950 foi governado pelos Dalai-Lamas, sempre de forma independente, mas, a China nunca reconheceu sua autonomia, embora a ONU a reconheça.

Sua língua, a tibetana, é falada ainda no Butão, parte do Nepal e Norte da Índia, sendo classificada tibetano-birmanesa, da família Sino-Tibetana, possuindo, ainda, vários dialetos.

O Tibete existe há cerca de 2100 anos, ou seja, desde 127.a.C. quando ali chegou a dinastia Yarlung, invadindo, inclusive as terras vizinhas. Tornou-se, porém, pacífico em 701. Em 1050 foi invadido pela China, levando o 14o. Dalai-Lama, Tenzin Gyatso, se refugiar na Índia. Em 1965, tornou-se autônoma.

De atmosfera seca durante 9 meses do ano, leva a uma particularidade em face à não existência de matas. Considere-se mais que o tibetano mantém a crença de que a alma abandona o corpo no momento de sua morte, que, sem a alma, nada serve. De modo que seria desperdício não usá-lo como fonte de alimento, sendo servido às aves necrófagas, como manifestação da última caridade do morto (Exceção apenas concedida aos Dalai-Lamas e Panchen-Lama que são embalsamados e cobertos de ouro).

Em 1959, a China proibiu o ritual fúnebre que pratica, mas, em 1974, os monges tibetanos conseguiram que a China concordasse com o “Funeral Celestial”. O Tibete possui cerca de 1100 lugares criados especialmente para tais ritos, dirigidos por pessoas especializadas (“rogyapam” – coveiros – ) que os celebram.

Consiste em que as famílias levam os seus cadáveres às “Cidades das bandeiras de oração”, onde seu corpo é colocado sentado por 24 horas e o Lama faz orações que ligam a morte e o renascimento. Após tais orações, um parente ou amigo o morto, o leva até o local do enterro (Para os ocidentais tais cerimônias são difíceis de serem entendidas). O “ragyapam” despe os cadáveres e nele faz diversos cortes em todos o seu corpo. Os abutres vem devorá-los. Havendo sobras, o coveiro as recolhe, esmagando os ossos, misturando com manteiga, e, os pássaros voltam a devorar. O corpo deve ser totalmente destruído; nada deve sobrar. Enquanto os pássaros se banqueteiam, o coveiro toca flauta e faz orações pelo seu renascimento, eis que, sem o corpo, a alma vai em busca de “nova morada”.

O “ragyopam”, ao final do cerimonial, recebe 100 “yans”, cerca de R$ 30,00.

A P A R E C I D A

(300 ANOS)

Dia 12 de outubro pp. , a Igreja Católica Apostólica Romana, comemorou com festas e pompas os 300 anos do encontro, no Rio Paraíba do Sul, exatamente nas curvas de um M, da imagem de Nossa Senhora da Conceição, que passou a ser chamada de “Aparecida”.

Sim, ela apareceu nas malhas das redes dos felizardos pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso. Tudo aconteceu de forma miraculosa.

Era o dia 12 de outubro de 1717, época das Capitanias Hereditárias. O Governador da Capitania de São Paulo e Minas Gerais, Conde de Assumar, passaria por Guaratinguetá, onde seria homenageado com um banquete cujo prato principal seria peixe.

O Rio Paraíba, por si só, não é piscoso graças às suas águas barrentas, principalmente no mês de outubro. Os 3 pescadores encarregados de trazer peixes embora conhecedores dessa realidade foram à pesca rezando à Virgem Maria, Mãe de Deus, para que os ajudasse na tarefa. À noite toda, nada pescaram, quando, de repente, surge nas redes a cabeça de uma imagem; não devolveram ao rio e continuaram descendo a corrente, lançando as redes quando logo após uns trezentos metros, veio nas malhas, o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição que ficou perfeitamente unida à cabeça anteriormente encontrada. Atiraram novamente as redes que voltaram repletas de peixes que encheram a canoa a ponto de ameaçar afundar.

Viram nesse acontecimento algo milagroso, considerando mais que o local tem a profundidade de 9 metros. Como a imagem veio à rede?

A partir daí, a devoção a Santa se espalhou, levando os devotos a construírem uma pequena Capela que veio a se transformar em Basílica (Igreja que recebe do Papa esse título, não sendo jurisdicionada a Autoridade eclesiástica local, possuindo autonomia), onde a imagem foi acolhida já recebendo o título de Aparecida – Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

A princípio, onde se ergue a Capela de São Geraldo, a imagem fora ali colocada à visitação pública aconteceu o primeiro milagre, quando as velas, durante o terço se apagaram e voltaram a se acender.

Seguiu-se outro milagre como escravo Zacarias que fugira do Paraná, ali fora capturado pelo “Capitão do Mato” a quem pediu para deixá-lo conhecer a imagem da Santa. Diante dela se ajoelhou e as correntes milagrosamente se romperam. Vendo o que ocorrera, foi solto.
Passando por Aparecida, um cavaleiro zombou da fé dos fiéis e foi tentar entrar na Igreja, montado em seu cavalo. As patas do animal ficaram presas nas pedras. Arrependido, acreditou e se converteu (A pedra com os sinais das patas, encontra-se no Museu do Santuário Nacional de Aparecida).

Muitos milagres se sucederam, e, até hoje vem acontecendo; milhares de devotos recebem da Virgem Nossa Senhora da Conceição Aparecida graças, bênçãos e curas, atestadas com suas fotos, óculos, muletas, roupas e utensílios deixados na “Sala dos Milagres”. Sim, por sua interceção, Jesus, seu Filho, atende os mais diversos pedidos de seus devotos que Nela creem.

Como devoto, sempre vou a Aparecida, o que faço desde os 6 anos de idade, quando levado pela primeira vez por meus pais; época que não entendia o grande milagre desse encontro nas águas de um rio, mas percebia a intensa devoção de minha mãe que levou-me à sua frente, ao passar por trás do Altar-Mor onde o nicho com a imagem estava colocado. Dezenas de vezes, mais tarde, já adulto, conhecedor pleno desses milagres e seu poder intercessor, ali voltei para depositar aos pés da Rainha e Padroeira do Brasil, minhas preces sempre atendidas.

Trezentos anos são passados desse misterioso e milagroso encontro. A cada ano, a “Mãe Negra” recebe milhares de devotos, e, a todos atende, recebendo deles as merecidas homenagens anunciadas em Lucas 1,48:

Eis que doravante, todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada.”

MESTRE JOÃO

M E S T R E J O Ã O

(Primeiro a pisar em solo brasileiro)

O historiador Francisco Adolfo de Varnhagen descobriu em 1843, e publicou na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – 1843 – Tomo V , 19 – a carta de Mestre João (João Francisco ou João Emeneslau) escrita em 28.04.1500 ao Rei Dom Manoel I, enviada com a de Pero Vaz de Caminha e escrita na Baía Cabrália.

Mas, quem é Mestre João?

Médico, astrônomo, astrólogo, físico judeu-espanhol. Foi contratado para prestar tais serviços à Esquadra de Pedro Álvares Cabral em 1.500. Cabe a ele a notoriedade de ter sido o primeiro a pisar (oficialmente) em solo brasileiro (Ilha de Vera Cruz) após deixar a nau comando rumo às terras descobertas (Bem, não acredito nesta “descoberta” – Sim, a Missão de Cabral era tomar posse destas terras existentes no Ocidente, no Hemisfério Sul – Ninguém há de me convencer que ante a existente de calmaria nas Costas da África, dela se afastou).

Na mencionada carta, Mestre João fala ao Rei que inciara seus primeiros estudos astronômicos da Nova Terra, identificando a Constelação Cruzeiro do Sul, sugerindo ao Rei que consultasse um Mapa Mundi onde veria a localização dessas terras onde se encontrava, mapa mundi este de Pero Vaz Bisagudo, já contando a existência de terras. Tal colocação é mais um indício de que os portugueses já conheciam a existência desse território.

Outra carta foi escrita em primeiro de maio. Usou, em ambas missivas, o Mestre João de um misto de português e espanhol (hoje dito de “portunhol”). Inicia por pedir para beijar as reais mãos de El Rey, informando que em 27 de abril, ele, o piloto capitão-mor (omite o nome), mais o piloto Sancho Tovar, por volta do meio dia, desceram à terra que diz ser uma ilha. Fala das dificuldades de medição em alto mar, face aos balanços das naus que provocam uma diferença de 4 a 5 graus, alterando os cálculos; em terra, as medições do astrolábio serão corretas, afirma; fala da existência do polo antártico e das Estrelas do Cruzeiros do Sul o qual já estuda. Roga, ao final, que Nosso Senhor Jesus Cristo pela vida e estado de boa saúde de El Rey, intitulando a terra de “Ilha de Vera Cruz”. Diz ao final ser o missivista “criado de Vossa Alteza e vosso leal súdito.”

A Esquadra de Cabral trazia ainda outro médico, Gaspar da Gama, que só veio à terra em primeiro de maio, quando da celebração da Primeira Missa, celebrada por Frei Henrique de Coimbra.