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A PRAÇA E SEUS SEGREDOS

Sim, a Praça é do povo, conecta várias ruas que dela nascem ou por ela passam; nela se concentram um templo religioso, edifícios públicos, instituições de todas as ordens, fontes (luminosas ou não), bancos de madeira ou cimento, árvores, plantas e flores, pontos de taxi, de ônibus. Por ela passam, todos os dias, por vinte e quatro horas, centenas, milhares de pessoas. É palco de concentrações, de acontecimentos diversos, de momentos bizarros, jocosos, alegres, tristes e religiosos. Nela se acumulam segredos.

Morava eu, nos idos de 1968/1974, época de minha juventude acadêmica e professor secundário, bem como início de carreira jurídica, no Palace Hotel, Praça do Bom Jesus.

Frente ao pórtico do edifício hoteleiro, haviam dois bancos de cimento onde nas horas de ócio, ali permanecia só, ou acompanhado de alguns hóspedes e ou moradores do Hotel. Normalmente à noite, quando chegava da Faculdade, gostava de ali permanecer observando a beleza do local, o brilho da noite, a lua e estrelas, as luzes. Há muita coisa a contar, a final, foram longos seis anos que ali residi.

À certa hora da noite, o ritmo frenético da cidade arrefece, os vendedores encerram suas atividades e partem; nos bares seus fregueses partem, levando suas lamúrias, tristezas, desavenças ou alegrias e sucessos, as portas são fechadas. O pipoqueiro, amendoinzeiro, passam sonolentos em direção ao seu lar. Nos pontos de táxis um ou outro taxista de plantão dorme no veículo ou ouve música; vez ou outra um cliente pede uma corrida. Os ônibus já não mai circulam (Àquela época o “terminal” ficava ao lado da Catedral, frente ao antigo “Cine Bom Jesus”). As ruas tornam-se quase desertas.

Ali sentado, via a cidade ir adormecendo aos poucos. Uma jovem da noite passa à procura de freguês (triste vida de quem na sorte perdeu a dignidade e o respeito, vivendo de “biscates” para sobreviver, levar para casa um sustento à mãe e ou aos pais idosos e doentes, um filho, talvez mais (Lembrei-me quando Nelson Gonçalves cantou: “… Se cantavas a tragédia das perdidas, compreendendo suas vidas, perdoava o seu papel…). Ora, um casal passa brigando, xingando e se agredindo; comum a mulher receber uns socos, chutes e tapas, até cair e rolar pelo chão frio e sujo, exibindo suas partes íntimas ao rolar no asfalto frio, levantando-se a sangrar. Uma mulher que procura flagrar o marido, na escuridão da noite, junto a uma outra. Uma jovem, no escuro e protegida pelas árvores e arbustos, desaperta-se nas suas necessidades fisiológicas. Do Hospital do outro lado, ouvem-se gritos de dores e desesperos pela morte de algum ente querido.

Algum forasteiro pede informações:

Onde há uma “casa”:

É ali, siga até ao próximo quarteirão e dobre a direita. Não há como errar, o portão está aberto, pode ir entrando.

Muitas vezes, outros indagam:

Onde é a ZBM?

Fácil, na próxima rua, paralela a esta, suba pela esquerda e vá reto, sempre reto, até o seu final. É lá, vai ver o movimento, à frente das casas há lâmpadas vermelhas. Não há como errar.

Um ônibus chega ao hotel, com turistas ao pernoite; são pessoas da terceira idade. Mas, alguns perguntam onde podem tomar um lanche?

Certa noite (1973), passou o “João Montanha” – Um vigia noturno – matara uma pessoa – eu o defendera perante o Tribunal de Juri, fora inocentado por “Legítima defesa” – Cumprimenta-me e mais uma vez agradece-me tê-lo defendido gratuitamente, porém, faz uma oferta:

Doutor, se tiver algum inimigo, basta me mostrar. Só me mostra ele, mesmo de longe, que ele vai sumir do mapa.

Não João, eu não tenho inimigo. Vá com Deus e nunca mais diga isso! (Nunca mais o vi, felizmente).

Vez ou outra alguém chama o grupo para ir tomar um caldo num bar mais distante dali.

A noite avançou. Tudo está fechado, pouquíssimos notívagos, bêbados, poucos são os sóbrios; muitos malandros; um mendigo se ajeita sob uma marquise, forra com jornais e se cobre com um “sapeca negrinho”. A Polícia passa devagar, olhando, buscando “atitudes suspeitas”, volto a lembar-me de Nelson a cantar “Estação da Luz”, frente à Praça da Luz, depois da meia noite: “Em cada esquina uma sombra indefinida, um casal que anda a procura de um hotel, um guarda que vigia, na sombra da calçada, o tempo frio, um resto de melodia, um assobio…”

O porteiro fecha a porta e dorme no sofá. O silêncio da noite convida ao repouso, subo para meu apartamento.

As luzes da fonte são desligadas; a “cidade dorme” a

esperar por um novo dia.

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QUANDO O BISPO É O LADRÃO

Em dias da semana próxima passada, o Brasil acordou com uma bombástica notícia que abalou o mundo católico: Um Bispo e quatro Padres haviam sido presos por furtar o dinheiro da Diocese. Foi o bastante para que as redes sociais se agitassem, levando a Igreja Católica Romana ao ridículo. De minha vez, respondi que o erro não estava na Igreja em si, mas, em homens que a dirigiam; que em todas Instituições há bons e maus; a Igreja é Santa e pecadora, Santa na sua Instituição Divina, pecadora pela obra de seus homens falhos; Jesus ensinara a não julgar, dizendo: “Não julgueis e não sereis julgados, a medida com que medirdes, vos medirão também.”

Pelos idos de 1990, chegou ao meu escritório advocatício um grupo de irmãos protestantes, querendo processar o seu Pastor que furtara a comunidade. O golpe dado por ele consistiu em distribuir aos fiéis 200 garrafas de plástico, a que chamou de “Botiglia”. Sim, a “Graça da Botiglia”. Os fiéis “comtemplados” deveriam enchê-la de dinheiro, cujo total não poderia ser inferior a R$ 1.000,00. O prêmio era a abundante graça divina que lhes multiplicaria seus bens a razão de 1 por 100. Os irmãos foram às ruas, pediram ajuda, venderam doces, pamonhas, curaus, fizeram rifas, sangraram suas economias. No dia marcado, todos, num solene “culto”, fizeram a “entrega” das “Botiglias”. Algumas com mais de R$ 2.000,00.

No dia seguinte, cadê o Pastor? Fugira!

A Igreja Católica tem um controle rígido de suas arrecadações. Iniciam nas Paróquias, onde há um Conselho de Administração Paroquial – CONAPA – há um registro de caixa – Ao final de cada mês, os Padres enviam ao Bispo um Balancete da Receita e Despesas, acompanhado dos comprovantes: Dízimos, ofertas, quermesses, leilões, vendas, salários, obrigações sociais, água, luz, telefones, ajuda a necessitados, casa paroquial, etc. O Bispo verifica, examina. Há um “Ecônomo” que tudo acompanha e registra. O relatório é acompanhado do valor de 15% para a Cúria, cujo importe é usado na manutenção da Diocese, da casa do Bispo, do Seminário, viagens oficiais do Bispo e Padres.

De 5 em 5 anos, o Bispo deve ir a Roma encontrar-se pessoalmente com o Papa, levando consigo um Relatório de suas atividades. Obviamente as despesas desta viagem saem desses valores arrecadados.

Pelo visto, é, portanto, muito difícil o desvio de numerários. Mas, acontecem, acontecem, sim, não altos valores como o do fato agora acontecido, mesmo porque foi dito que o Bispo era quem promovia o desvio.

Jesus, ao fundar sua Igreja sabia que aconteceria tais mazelas e pecados outros, tanto que disse que, e nem as portas dos infernos acabaria com ela; ela iria até o final dos tempos. Por sinal, em seu nascedouro, entre 12 membros por Ele mesmo escolhidos, chamados igualmente de Bispos, 1era ladrão.

Quanto ao Bispo, na sua desventura, deverá se explicar perante o Tribunal Eclesiástico, respondendo pela sua atitude, com todo o direito ao contraditório; o mesmo quanto aos Padres. Poderão, ser condenados, receber punições que irão desde uma advertência particular à pública, como a perda do cargo e suspensão definitiva do estado clerical.

A Diocese ofendida, por determinação da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – não está acéfala; um Bispo, com o cargo de Administrador Apostólico (Até que outro seja nomeado), já foi enviado.

A Igreja? Sim, ela continuará incólume a vencer o mar bravio, a luta do inimigo; será vencedora em todas as batalhas. Jesus Cristo, o seu fundador, não a abandonará jamais. Ele mesmo disse: “Eis que estarei convoco até a consumação dos séculos”.

Aos fiéis cabem rezar pelo clero para que Deus lhes de santificação, perseverança, fidelidade, força e paz! Que sigam a Jesus na pobreza que Ele deu o exemplo.

DECEPÇÃO

Em 1971, O PRIMEIRO HONORÁRIO

(Em 2018, a decepção)

Era o ano de 1971, cursava o 5o. Ano de Direito da FADA – Faculdade de Direito de Anápolis – raiz da UNIEVANGÉLICA.

Encontrava-me, estudando para uma prova, e o fazia na sala de estar do Pálace Hotel, Praça do Bom Jesus, onde residia. Tinha às mãos um exemplar da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), quando se aproximou um senhor de meia idade, claro; vestia um elegante terno, indagou:

Bom dia, jovem, o colega atua em qual área?

Bom dia, Doutor, mas sou apenas Estagiário, 5o. Ano. Estagio na Procuradoria de Assistência Judiciária, área cível e criminal, e, em Goiânia, em Escritório Advocatício, nas áreas de Falência e Concordata, Cível e criminal.

Interessou-me, podemos conversar sobre um trabalho que lhe ofereço?

Sim, Doutor, podemos discutir o assunto.

Apresento-me, meu nome é (omito). Sou Deputado Federal por Pernambuco, da cidade de São José do Egito; sou da ARENA. Meu sogro (Valfrido) tem uma fazenda algodoeira. Claro, já ouviu falar na Falência da Empresa (omito), aqui na cidade?

Sim. Temos algumas “Habilitações” para peticionar. A Falência foi decretada nesta semana.

Muito bem, estou no caminho certo. Vendemos para ela vários fardos de algodão em pluma, que por sinal, foram entregues exatamente no dia da decretação da falência, logo… (Não esperei que concluísse):

Cabe “Restituição”!

Disse-me, então, que me contrataria apenas para acompanhar o processo, informando-o dos passos, dos despachos. Ofereceu-me dois mil cruzeiros (CR$ 2.000,00) mais despesas, que aceitei de pronto, sem retrucar. Passou-me seu endereço pessoal, bem como os telefones.

O acompanhei ao Fórum quando postulou o pedido; o apresentei ao Juiz da causa. Voltou a Brasília.

Nos dias seguintes, passei a informar-lhe, pelo telefone, o andamento do processo. Fui a Brasília, no seu apartamento funcional, conheci sua esposa, uma doce de mulher com um macio sotaque nordestino, sua linda filha; também o encontrei em seu gabinete.

Em uma dessas oportunidades, junto à sua família, a conversa girou entorno da época em que ele advogava. Lembro-me bem quando disse que estava decepcionado de tantas coisas erradas que viu, graças às falhas humanas. Alguns Juízes e Promotores sem conhecimentos básicos, julgamentos parciais, graças às amizades do julgador com as partes. Disse-me, que um dia, isso aconteceria comigo.

Sim, você, colega, um dia vai se decepcionar. Não tenho dúvida!

A sentença foi óbvia e a restituição determinada. Não houve recurso do MPE, nem da Massa Falida. Fui a Estação Ferroviária, contratei o despacho, providenciei o caminhão e os carregadores; junto com o Oficial de Justiça, fui buscar os fardos na empresa e despachá-los.

No dia seguinte fui a Brasília, entreguei-lhes os “conhecimentos”, jantei com sua família, e recebi “meu primeiro honorário” (Paguei 5 meses adiantados do Hotel e da Faculdade, comprei roupas na Renner, Sultan Falluh). Sendo férias fui para Mococa, onde fiquei um mês.

Hoje… Março de 2018, lembro-me do fato para dizer da minha grande decepção com o STF que poderia, sim, adiar a prisão de um condenado por um Colegiado, mas, não de forma tão virulenta e sem fundamentação fática e jurídica, deturpando a Jurisprudência própria, a Doutrina e a Lei, o fazendo mais, de forma tão vexatória. Decepciono e envergonho-me, sim, de vê-los achincalhados, humilhados e xingados diante de toda uma Nação estarrecida. Membros da mais alta Corte de Justiça sendo espezinhados e execrados publicamente, sem o menor respeito. No fundo, é preciso mudar a forma de escolher os membros da Alta Corte, e não como é, por méritos politico-partidários.

O fato leva-me a outra recordação: Meu amigo e Professor de História, também advogado, Zé Risadinha, era frontalmente contrário à forma de tratamento que se dava às autoridades, que o fazia sem o menor respeito. Vivesse hoje, Dr. Zé Rizadinha, estaria envergonhado de vê-los, talvez não sem razão, achincalhados.

Que decepção!

PARACHOQUE DE CAMINHÃO

Quem nunca, ao viajar por uma estrada, não leu as frases estampadas nos parachoques traseiros de caminhões. Elas refletem e muito a filosofia de vida daqueles motoristas. Coletei muitos deles que hoje trago.

Seja legal com seus filhos, eles irão escolher o seu asilo”

Minha mulher mandou escolher entre ela e o caminhão. Até hoje tenho saudades dela”

Velocidade controlada por buracos”

No baralho da vida, perdi por uma dama”

Nunca dormi no volante, mas já acordei dirigindo”:

Amigos se vão e se vem, mas inimigos se acumulam”

Fazendo-se muita merda que se aduba a vida”

Deus é jóia, o resto é bijuteria”

Mulher deixa o rico sem dinheiro, o pobre sem vergonha”

Se correr o guarda multa, se parar o banco toma”

Homem é como lata, uma chuta, outra cata”

Mulher é como alça de caixão, quando uma larga, outro logo põe a mão”

Amor é igual fumaça, sufoca mas passa”

O problema não é o chifre, duro é sustentar a vaca”

Amor de mulher é REAL”

Não sou sanfoneiro, mas toco a noite toda”

Quem planta maconha, colhe cana”

Se você não é inteligente seja pelo menos engraçado”

A diferença entre um político e o ladrão é que um eu escolhi, o outro me escolheu”

Quem não se senta para aprender, jamais ficará em pé para ensinar”

Na boca de quem não presta, não valho nada”

Não xingue o caminhoneiro, ele pode ser o seu pai”

Mulheres, cheguei!”

Quem dorme no volante, acorda no céu”

Filho é igual peido, você só aguenta o seu”

Cabelo ruim é igual bandido, ou tá preso ou armado”

Marido é igual menstruação, se vem incomoda, se atrasa preocupa”

Cana na roça da pinga; pinga na cidade da cana”

Mulher é como abelha, hoje da mel, amanhã ferroada”

Ninguém é vidente cara, ligue a seta antes de virar”

Cavalo na pista não é perigo, perigo é burro na direção”

Calma amigo, há viúvas demais”

Não voto no PT, é perda total”

Pobre é igual barbante, se não está esticado, está no rolo”

Marido de mulher feia, detesta feriado”

Deus dá a vida para que cada um cuide da sua”

Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça”

A melhor maneira de se lembrar sempre do aniversário de sua mulher, é esquecê-lo uma única vez”

Pobre é igual pneu, quanto mais trabalha, mais liso fica”

Mais vale a lágrima da derrota do que a vergonha de não ter lutado”

Numa coisa homens e mulheres combinam: Ambos não confiam nos homens”

Não estou com pressa, sim com saudades”

Pobre é igual lombriga, sai da merda morre”

Quem fala de mim pelas costas, sabe que estou na frente”

Na matemática da vida, você é o meu problema”

Encerro com uma frase que li num carro antigo, velho, desbotado, pneus carecas, sem vidros e sem uma porta:

Pior e estar a pé”

A INELEGIBILIDADE DE LULA

Não entendo de política, não gosto e não escrevo sobre o assunto (Quando digo que “não entendo de política”, falo quanto às suas manobras. Sim, claro, “entendo política”, cuja origem vem do grego “polis” – cidade, cidadania – logo direito de cidadania – Fui professor de Moral e Cível, OSPB e EPB.

Quero, entretanto, falar apenas de Direito. Apenas o legal. Os fatos jurídicos do caso.

Tenho acompanhado pelas redes sociais as manifestações prós e contras Lula na campanha eleitoral desse ano, desejoso de candidatar-se ao cargo de Presidente do Brasil.

São debates mais ou menos acalorados que outros, que lotam as páginas do “Face”, cada um com sua tese ou torcida. Alguns trazem a legislação correta a impedir Lula de mais uma vez tentar chegar ao Palácio do Planalto; outros falam em “Fraude”, caso isso não aconteça; outros ainda falam que ele é vítima das “Elites dominantes”; outros partem para a baixaria, usando até palavras de baixo calão. Outros falam em impedir sua prisão via “guerra”.

Muitos acreditam que ele será candidato e será eleito, mas Lula sabe que não poderá ser candidato. Podem chamá-lo de bêbado e analfabeto, mas jamais de idiota; Lula é altamente inteligente, de QI elevado. É defendido e assessorado por uma banca advocatícia de peso, formada por grandes juristas. Mas, ele grita, insiste, bate, debate, no intuito claro de tentar ser salvo pelos seus no STF, mas sabe da impossibilidade jurídica do feito.

Pelo prisma legal, digo que Lula foi condenado pelo Juiz Federal da Primeira Instância em Curitiba (13a. Vara Federal, Sérgio Moro). Dentro do prazo legal, postulou “Recurso de Apelação” que foi apreciado pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região – TRF4 – pelos Desembargadores Leandro Paulsen (Presidente da 8a. Turma),

Victor Luiz dos Santos Laus e João Pedro Gebran Neto.

Os Desembargadores à luz do postado no bojo dos autos: Denúncia, defesa, provas documentais, oitiva de testemunhas da acusação e defesa, interrogatório do acusado, memorial (alegações finais) e sentença, não só mantiveram a condenação, como aumentaram a pena de 9 anos para 12 anos e um mês de “reclusão”. Lula é, portanto, condenado, por um “Colegiado” de 2a. Instância.

Agora, quer ser candidato, superando a inelegibilidade, contrariando a Lei que ele mesmo sancionou e publicou, quando podia tê-la vetado. Não o fez.

Que Lei é esta?

Lei complementar 135/2010, sancionada conforme Lei 416/2010, que o STF, em 2012 a julgou constitucional, e que deveria ser aplicada a partir das eleições de 2010. Portanto, a lei está valendo.

O que diz a Lei?

Quem for condenado por um Colegiado (2a. Instância), está inelegível por 8 anos. Logo, Lula foi atingido pela Lei 416/2010, oriunda da Lei complementar 135/2010; terá de cumprir 12 anos e 1 mês de reclusão, portanto, em regime fechado.

Seus defensores, seguidores, simpatizantes, eleitores esperam que o STF, cujos membros, em sua grande maioria, foram por ele e sucessora nomeados, venham salvá-lo. Não opinarei sobre tal possibilidade, sim, de que ele venha ter sua prisão adiada, até mesmo, uma “liminar” que possa permitir sua participação na campanha eleitoral. Afirmo, ao pedir o registro de sua candidatura no TSE, este será impugnado pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) e ou pelos Partidos não alinhados; em consequência, terá o registro negado ou cassado, caindo por terra uma possível liminar, mesmo do STF, que nada poderá fazer. Não há outra solução, devendo, ainda, ser preso após as eleições (Entenda-se que sua condenação no TRF4 foi por unanimidade – 3 x 0 – o que, no “mérito”, nenhum Tribunal Superior: STJ ou STF alterará, exceto em postergar sua prisão.

Lula está inelegível. Mais cedo ou mais tarde será preso, embora sempre os analistas, cientistas políticos, comentaristas, jornalistas e historiados discutirão o caso, divergindo entre si.

Mas, esta é a Lei vigente: Inelegível!

CHARLIE CHAPLIN

Charlie Spencer Chaplin, nasceu em Londres (16.04.1889). Foi ator, diretor, compositor, roterista, comediante, humorista, dançarino, músico, produtor, editor e empresário. Na realidade um gênio da sétima arte.

Iniciou no cinema à época dos filmes mudos (“cinema mudo”), notabilizando-se pelo uso da mímica e da comédia pastelão, foi considerado pela crítica, o maior artista cinematográfico de todos os tempos, ao lado dos irmãos Lumière. Chamado igualmente de “Pai do cinema”.

Chaplin produzia e escrevia os próprios filmes em que atuava e dirigia; editava e os vendia. É o mais homenageado cineasta de todos os tempos.

Foi talentoso jogador de xadrez, chegando a enfrentar o campeão Samuel Reshevstky.

Era “canhoto”. Filho do músico, vocalista e ator Charles Spencer Chaplin. Sua mãe Hannah Chaplin era cantora e atriz; separaram-se antes que o menino completasse 3 anos, quando ficou sob os cuidados da mãe que por doença na laringe perdeu a voz, passando a sofrer depressão nervosa, razão porque o menino, juntamente com seu meio irmão Sydney foram levados para um abrigo, posto que o pai tornara-se alcoólatra.

Viveu, entretanto, com o pai por uns tempos, mas era uma vida conturbada e sofrida. O pai acabou por morrer de cirrose hepática, deixando-os na orfandade a cargo de novo asilo. Tinha então 12 anos.

Ao atingir a maioridade, emigrou-se para os Estados Unidos, trabalhando com Fred Karno; foi morar num quartinho alugado. Criou o personagem “O Vagabundo”, levando a filmá-lo e vendê-lo. O vagabundo era um andarilho pobretão, mas refinado com a dignidade de um cavalheiro; vestia sempre um paletó apertado, calças largas, sapatos desgastados e largos, chapéu côco, usava uma bengala de bambu, arrematando sua figura com um bigode-de-broxa.

Os filmes foram apresentados na Europa, Oriente Médio, Brasil e Argentina.

Os filmes caíram no gosto do público que os adorava, embora fossem combatidos pela crítica que os via como vulgares graças à agressividade com que agredia seus inimigos.

Deixou várias obras cinematográficas como Luzes da Ribalta, O Grande Ditador, O Garoto.

Era, sim, um homem sofrido e angustiado, o que o prejudicou em sua vida sentimental, casando-se e divorciando-se várias vezes, sendo elas: Mildread Harris, Lita Grey, Joan Barry, Eugene O’Neil, ainda teve amantes. Todas as mulheres com se relacionou eram de baixas idades entre 16 e 22 anos.

Deixou 11 filhos: Norma, Charlie Jr, Sydney, Geraldine, Michael John, Josephine, Victoria, Eugene, Jane Cecil, Annete e Cristopher.

Morreu em 1o. de maio de 1978, contando 88 anos, em Corsier-sur-Vevey, na Suíça, ondes está o seu túmulo.

A NEÓFITA

Conheci dona Rosilda, uma senhora magra, baixa, branca como a neve, de olhos azuis. Muito educada, religiosa, temente a Deus. Abandonada pelo marido que lhe deixara uma ridícula pensão, sustentou os estudos de seu filho até que se formasse em advocacia que não exerceu, caminhando pelo ramo empresarial.

Dona Rosilda possuía uma pequena fazenda no Município de Anápolis, de onde tirava a maior parte de seu modesto sustento.

Certo dia, em infeliz ocorrência, esse jovem de promissora carreira empresarial veio a falecer em terrível acidente de trânsito, fato que enlutou a cidade; seu velório foi concorrido e muitas condolências foram levadas à dona Rosilda que amparada na fé, suportava tamanha dor. Deixara ele, por sua vez, uma filha menor, agora amparada financeiramente pela avó mesmo com a parca pensão do INSS deixada pelo pai.

Os anos passaram, esta jovem veio formar-se em Direito. Com brilhantismo foi aprovada no “Exame de Ordem”, tornou-se Advogada.

Iniciando, portanto, sua vida profissional, ofereceu seus préstimos a avó que lhe disse estar desconfiada de que, os órgãos públicos que construíram uma estrada, cortando suas terras, mediante pequena oferta de valor pela “desapropriação”, perdera para o vizinho alguns alqueires. Ela, mais que depressa disse que “resolveria”.

Foi por volta dos idos de 1988, quando numa manhã, trabalhava no escritório no centro da cidade, Rua Engenheiro Portela, a secretária anuncia que um casal de jovens e uma senhora, desejavam conversar comigo. Não foi preciso mandar entrá-los, eis que, surge uma jovem adentrando abruptamente a sala, dizendo-se advogada e tinha que tratar de um assunto de meu interesse. Olhei aquela figura jovem mal educada, atrevida e grossa, seguida por um jovem educado, que adentrou cumprimentando-me, oferecendo sua mão que apertei (embora curioso), quando vejo na porta, em pé, sorrindo, sem graça, mais que desapontada, dona Rosilda. Ela pede desculpa. Peço para que todos se sentem. Mas, a jovem foi logo, colocando sobre a mesa, uma “planta baixa” de uma fazenda, dizendo:

Sou advogada da minha avó que você conhece! Ela teve suas terras invadidas pela Ordem Religiosa de quem você é advogado. Quero essas terras de volta. Veja aqui o mapa anterior à estrada e o outro posterior!

Muito bem, colega, primeiramente bom dia!

Não respondeu, continuei:

O ônus da prova cabe a quem alega, certo? Peticione uma Ação Divisória cumulada com Demarcatória. Lembre-se, como Autora terá que adiantar as custas, nesse caso serão altamente elevadas. Depois vem a Perícia por um Perito Judicial. Aliás, creio que faltam terras na Fazenda dos religiosos. É bom mesmo, quem sabe, não estão na Fazenda da dona Rosilda, né?

Sou namorada do Doutor (omito), aqui presente, filho do Desembargador (omito) que já me prometeu toda ajuda no caso. Vou ganhar!

Conheço Sua Excelência, creio que te ajudará, sim, a conduzir o processo, corrigir sua petição, orientá-la, de outra forma, não poderá ajudá-la, mesmo porque, quem vai dizer a verdade são as Escrituras, medidas, divisas e perícia.

Ela fechou os mapas, e disse:

Veremos! Terás notícias minhas!

Dona Rosilda estende-me a mão, pede novamente desculpas e se retira. O jovem advogado despede com educação, sai abanando a cabeça (Vira o ridículo da “Neófita”, sua namorada).

Sai dali, avisei o Diretor da Instituição. Ele disse:

Vamos aguardar!

A mencionada ação nunca aconteceu. Dona Rosilda veio a falecer recentemente, o inventário foi feito. E tal ação jamais aconteceu; certamente, a agora não mais neófita, portanto mais experiente sabe que seria derrotada.

Acontece que, também, fui “Neófito”, cometi arroubos, bravatas e irresponsabilidades, mas, sei que jamais caí no ridículo.

(Neófito significa “recém-batizado”. Figurativamente, “recém-formado”)