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PALMATÓRIA

PALMATÓRIA

Quando se fala em Palmatória, tremo e arrepio-me todo. Sim, quantas vezes fui castigado? Não sei dizer, mas, dezenas de vezes.

Palmatória é um instrumento, ou melhor, um artefato, de madeira. Consta de uma circular, com uns 5 a 6 centímetros de diâmetro, segura por uma haste de aproximadamente 30 centímetros. Na circular, ainda há alguns furos com o intuito de aumentar o sofrimento, a sensação de dor; os furos permitem vencer a resistência do ar, aumentando a velocidade com que é aplicada, deixando, com o golpe, sinais e vestígios na palma da mão.

Em tempos, não distantes, eram usadas em Escolas, corrigindo a indisciplina e o mau desempenho no aprendizado.

Sim, é controverso nas discussões acadêmicas os seus benefícios ou malefícios na educação sistemática ou assistemática.

Em 1960 passou a ser abominada pelos educadores, tornando, no Brasil, em 1970, crime. Entretanto, ainda usada em grande parte da Ásia e em até alguns Estados Norte-Americanos. A Inglaterra voltou, recentemente, às discussões no Parlamento a possibilidade de ser novamente usada, causando enormes reboliços e discussões prós e contras.

Meu pai sempre foi a favor de seu uso em Escolas, tanto que incentivava os professores a fazer uso da mesma, fosse caso de indisciplina ou mal aproveitamento escolar. Dizia que era um “santo remédio” para rebeldias ou preguiças nos estudos. Contava ele, que um certo Professor João, já adentrava à sala de aula tendo a mesma em suas mãos; dela fazia uso sem pestanejar. E mais, meu vô paterno, Torquato, aprovava o Professor João, quando sabia tê-la feito uso contra seu filho.

Não foram poucas as vezes que ouvi meu pai a dar plena liberdade aos professores que a usassem contra mim. Assim, em várias situações fui vítima de seu uso.

Em 1954 fui para Ribeirão Preto, onde o Diretor, um Cônego católico era favorável ao seu uso. Para meu azar, meu pai, logo ao deixar-me lá, foi logo dizendo que a Palmatória fosse livremente usada.

Pronto!

O velho adorava corrigir-me, fazendo uso da Palmatória, que por sinal, era de “Peroba”.

Várias vezes deixei a sala com as palmas das mãos vermelhas, inchadas, ardendo. Educado, não tinha o costume de xingar, retrucar, resmungar, falar algo, mas sentia na alma uma dor maior. Claro, muitas vezes, baixinho, no corredor, murmurava:

Fdp!

Hoje, sinceramente, não sei dizer se sou contra ou a favor. Sim, muito me corrigi e muito aprendi. Quando lembro-me da humilhação que sofria perante os colegas e amigos; quando lembro-me da atroz dor nas palmas da mãos, não deixo de recriminar, sou contra. Porém, quando me lembro que fui aprender o que não sabia, ou silenciar-me nos momentos necessários, ou não portar-me educadamente, aceito como forma correta de educação.

Certa feita, revoltado, disse ao Diretor:

A Lei o proíbe de me bater.

Sua resposta foi vigorosa”

Aqui eu sou o Juiz e a Lei!

Fazer o que? Quando disse ao meu pai que levei uns “bolos” como eram chamados, ele não só aprovou o ato do velho padre, como ainda voltou a confirmar ao Diretor o “direito” de aplicar-me correção, via Palmatória.

Não deixa de ser uma violência contra o infanto-juvenil, mas, que corrige, corrige!

Os educadores continuam a estudar o assunto e publicar folhas e folhas sobre o uso da Palmatória. Uns contra, outros a favor.

Fico em dúvida!

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FATOS DE UMA PROFISSÃO

Há situações que aconteceram na minha vida profissional que a fez torná-la fascinante; a Advocacia é dinâmica, até divertida; um dia nunca é igual ao outro. A cada passo, cada momento, o profissional se depara com fatos tristes, jocosos, mórbidos, estarrecedores, alegres; assim é o dia a dia de um profissional de direito. Nestes 46 anos, tenho muitas histórias para contar.

Comecei minha carreira, trabalhando em duas áreas: Criminal, por influência do Doutor Wagner Batista, grande criminalista, além de Empresarial, como falencista por influência dos Doutores João Bosco Arantes e Graciano Antônio da Silva, todos de “Arantes e Costa Advocacia”, de Goiânia, onde estagiei.

Início de carreira solo, idos de 1973, fui contratado, pela família de um preso, para defendê-lo de “estelionato”. Durante todo o processo percebia que o “acusado” tinha alguma chance, sim, havia dúvidas quanto à sua culpabilidade. Trabalhei, portanto, pelo “in dubio pro reo” (Em caso de dúvida, favoreça o réu); sim, melhor um culpado solto, que um inocente preso. Chega o dia da audiência; encontro-me no Cartório Criminal, acabara de examinar os autos, quando chega a tal “vítima”, indagando-me porque manuseava o processo? Digo-lhe era o defensor. Bastou que eu terminasse de dizer para imediatamente começar a rir, dizendo que eu jamais o livraria; fora um autêntico 171; praticou contra mim um verdadeiro “booling”. Caminham-se todos para a audiência, o Juiz ouve as testemunhas de acusação e defesa, partem-se para os “debates orais”. O Promotor pede a condenação com base nos fortes “indícios”. Peço a absolvição, alegando dúvida. (É bom dizer aqui que a “vítima” aos prestar seu depoimento, é indagada, pelo Juiz, de como conseguira a prisão do réu, posto que ele se encontrava foragido na Baía. Ela passa se gabar que ao saber da “preventiva”, foi com seu filho à Bahia, sequestrou o “bandido”, o colocou no porta-malas do carro e veio para Anápolis, entregando-o na Delegacia para onde o Mandado de Prisão fora encaminhado; lá corria o processo. O Juiz manda registrar tal fato em ata, dizendo que isso era um crime que deveria ser apurado).

Esperava que o Juiz viesse a ditar a sentença em 10 dias, mas, não, ele lavra a sentença a seguir: Absolveu! E mais, mandou instaurar inquérito contra a tal “vítima”, mandando que se expedisse o Alvará de Soltura, de imediato. Lá fora, o pessoal aguardava, quando sorrindo passei por eles. O réu sem algemas, sorrindo, agentes prisionais dispensados…Nada mai haveria para eu falar. Ou deveria?

***

Outro fato, mesmo ano de 1973, foi na área Cível. Fui contrato por uma pequena firma comercial a “Habilitar” um crédito numa “Concordata Preventiva”. Habilitei.

Passado o prazo estipulado para o pagamento da primeira parcela, o Concordatário não depositou os valores avençados. Comuniquei o fato ao cliente, postulando a seguir, numa pequena e única lauda, que fosse decretada a falência, mencionado o artigo da lei: Transformação da Concordata em Falência. O Juiz que manda ouvir, em 24 horas, o Concordatário.

Recebo, no Escritório, algumas pessoas gradas da cidade, o advogado da Concordata, um “medalhão”, um médico, um alto político da Arena, pressionando-me a retirar o pedido. Ora, como fazê-lo? Impossível! Mantenho-me firme, quando o tal médico (expoente da sociedade anapolina) faz o seu “booling”, afirmando que o Juiz jamais iria dar guarida à minha simples petição de meia folha, em contra partida ao longo arrazoado do grande advogado, Doutor Fulano, ali presente, que representava o Senhor Fulano, comerciante rico, famoso e poderoso. Ora, disse mais, que o Juiz jamais atenderia uma petição de um “neófito”em detrimento de um grande e conhecido advogado. Então lhes indaguei, porque vieram a pressionar-me?

Cinco, talvez seis dias depois, fui intimado da sentença: Falência Decretada!

***

De outra feita (1976), defendia, em Execução, um amigo. O caso mostrava dúvidas, podendo, um ou outro ganhar. Fiz o melhor possível na defesa, à época “contestação”. Encontrei-me com o advogado do Exequente e propus um acordo para finalizar a demanda. O colega foi franco, rápido e grosso:

Paga-me o principal, juros, honorários e as custas, pronto, feito o acordo!

Não concordando, deixei vir a sentença que julgou improcedente a execução, determinando que fossem pagas as custas, juros e honorários em 20% sobre o valor. Em Recurso, confirmada. Foi a vez dele me procurar:

Vamos fazer um acordo? Pago 10% agora, no ato.

Disse-lhe:

Paga os honorários em 20%, juros e custas corrigidos. Tá feito o acordo! Em Execução de sentença, fiz questão de receber até o último centavo.

***

Estes fatos e outros, mostram o fascínio pela profissão que escolhi em segunda opção, a primeira era ser da Marinha Mercante. Se eu não fosse advogado, gostaria de ter sido.

TRIBUTO A SALIM NAUFEL

(O ETERNO REI MOMO)

Não há Carnaval que se preze sem a presença do Rei Momo, o Único. Alegre, dançante e cantante, com sua Coroa e cetro, ao lado de uma bela Rainha, promove a festa mais popular do Brasil.

Em Mococa, interior de São Paulo, pelos idos de 1953/1955, Salim Naufel era o Rei Momo, até sua morte, o absoluto e disparadamente incomparável.

Salim morava na esquina de casa, confluências das Ruas Gabriel Pinheiro e Coronel Diogo, junção da Rua Iria Josefa. Às tardes de Carnaval, ia com meu pai e irmãos vê-lo sair num carro conversível, acompanhado de uma charanga, seguidos por uma carreata; invariavelmente, ia buscar a Rainha, que recordo-me foram Rosa Ferreira, Vera dal Rio e Vilma Anzaloni (Lindas jovens).

Menino, não ia ao baile, deliciando-se tão somente em ver a saída do cortejo do Salim, o “Rei Momo”, todo festivo, alegre, sorridente, atirando e recebendo confetes. Quando a comitiva já estava próxima a Praça Central, para a meninada dessas ruas, era o fim da festa. Só no outro dia haveria de voltar. Cada tarde, uma nova e bela fantasia de rei Momo.

Assim foi o Salim de toda uma vida, festivo, alegre, sorridente, educado e prestativo. Comerciante que herdou do pai Miguel a famosa Loja Paulista.

Salim Naufel, era irmão de outro festivo jovem, Munir, irmão também de Munira e Darcy.

Lembro-me do Salim quando servia o Tiro de Gerra, tocava zabumba na fanfarra; as crianças gostavam de vê-lo atrás daquele instrumento, sim, ele brincava e fazia rir.

Não posso olvidar sua mãe, Dona Salma, alma doce, pura, mãe extremosa. Quantas vezes, ao ver-me passar, chamava-me para dar-me “sancliche” que sabia gostá-lo; quantas vezes deu-me esses queijinhos para levar para meus irmãos. Tudo fazia com doce sorriso. Seu Miguel, sempre na loja a atender a grande clientela, o fazendo com alegria e amabilidade. Vendia de tudo, de penico a tecido…

A Salim devoto muita gratidão. Não posso esquecer daquela madrugada de 1955. Minha mãe sofreu “eclampsia” (Grave ocorrência na gestação, caracterizadas por convulsões e elevação da pressão arterial, pode levar a morte do feto e ou da paciente). Nos primeiros sintomas, meu pai saiu correndo, ainda de pijama, gritando pelo Salim que prontamente veio atendê-lo, dispondo-se ao auxílio imediato. De sua casa, telefonou para um médico obstetra; pegou sua caminhoneta e, em alta velocidade, buzinando, foi buscar o Dr De Luca. Havia necessidade de medicação, Salim foi acordar um farmacêutico que o atendeu prontamente. Minha mãe e a criança (Ana Vinícia) foram salvas (embora tenha deixado sequelas – 6 meses depois – Deus levou a menina). De manhã, Salim ainda estava lá em casa, pronto para qualquer emergência. Já o sol nascendo, ele foi levar o médico de volta à sua casa.

Quero dizer à Mônica, sua filha: Não há palavras ou gestos que possa traduzir tamanha gratidão ao seu pai, por esse fato sempre lembrado na família. Portanto, mais do que “Rei da Alegria”, quis falar do lado humano desse jovem amigo que se foi tão cedo, que por sinal, Deus escolhe os bons para tê-lo consigo. Há 14 anos se foi (10.01.2004) prematuramente. Sua vida não foi em vão. Quantas pessoas dele necessitaram e tiveram amparo? Não se sabe, creio que nem Dona Nadir, sua esposa, sabe dize-lo.

Deixou três lindas filhas: Gisela, Célia e Mônica, minha particular amiga, mãe de Ana Paula.

Há 14 anos, os Céus estão mais festivos e alegres com a presença desse “Rei da Alegria”, sempre a brincar e rir para todos, agora para os anjos e santos na presença do Criador.

Em Mococa há um belo Carnaval, mas sem Salim, por esta razão, mais triste.

LARGADOS E PELADOS

LARGADOS E PELADOS”

(Naked and afraid)

Em Railegh, NC, USA, quando visitava meu filho Rafael, lá residente, cheguei de um passeio ao Museu da cidade. Era um fim de tarde; liguei a TV em busca de um noticiário, quando deparei-me com um “Reality Show” de sobrevivência na selva, intitulado “Naked and afraid” (Pelado e medo); passei a assisti-lo. Se não é bom, melhor que o BBB é.

Produzido pela Discovery Turbo Channel produtora de noticiários, investigações, ciências e aventuras, Animal Planet, expande-se pelo mundo todo, possuindo credibilidade.

De volta ao Brasil, busquei o programa, o encontrando sob o título “Largados e Pelados”. O gênero de sobrevivência é produzido por David Garlinkle, Denise Contis, Jay Renfroe e Steve Ranchin. Tem 40 minutos de duração, encontrando-se na 5a Temporada, contando com 27 episódios. Recebeu vários prêmios internacionais cono Emmy Primetime, Reality Show não estruturado.

Consiste levar um casal de desconhecidos, completamente nus, à sobrevivência extrema, indo ao limite máximo de sua resistência física e psíquica num espaço de tempo de 21 dias. Deixados numa floresta em qualquer parte do mundo, devem os escolhidos obter o seu próprio alimento, água potável e abrigo, enfrentando perigos reais ante a existência, no local, de cobras peçonhentas, animais predadores e ferozes como javalis, leões, tigres, onças, crocodilos e outros. Enfrentam mudanças repentinas de temperatura que trazem sérias consequências como resfriados, gripes e pneumonias e hipotermia. Sofrem ação de mosquitos portadores de dengue, malária; a constante presença de insetos transmissores de infecções e até “septicemia” e carrapatos transmissores da febre maculosa é constante. Estão sujeitos a envenenamentos por plantas e frutos desconhecidos.

Ao iniciar a aventura, cada casal recebe, conforme seu currículo, uma nota de ASP (Avaliação em sobrevivência primitiva) que vai de 0 a 10. Ao término da aventura esta nota é reavaliada. Uma sacola de couro, contendo apenas um item de sobrevivência (isqueiro, uma panela, uma bússola, ou um facão, além de um mapa do local, lhes é entregue, ainda uma microcâmera. No pescoço, levam um microfone acoplado ao transmissor colocado na dita sacola.

Alguns dizem que os participantes recebem prêmios pecuniários pela vitória em chegar ao 21o dia (Quando são resgatados). Mas, não, trata-se de uma conquista pessoal, embora recebam uma “ajuda de custo” pelo que deixaram de receber em suas vidas profissionais, permitindo-lhe deixarem os serviços enquanto participam do programa. Ajuda esta que vai de US$ 7.500,00 a US$ 20.000,00. Recebem as passagens, alimentos e hotéis nas suas locomoções de sua casa ao local e regresso.

Não se fala, e nunca houve relações íntimas entre os participantes ante a própria natureza do evento: fome, frio, privação do sono, medo, angústia, desespero, falta de higiene, a presença de técnicos, filmadores, iluminadores, guias, atiradores (Aproximadamente 40 pessoas que se revezam) provocam nos participantes uma espécie de “sossega-leão”.

Como o programa não tem apelo erótico, os participantes aparecem no vídeo com “borrões” em suas partes provocativas. Alguns casais, conforme suas criatividades, criam peças de vestuários com couros de animais abatidos, cocos, palmas de coqueiros trançadas.

Por fim, digo. Um bom programa para fugir de certos programas televisivos como certos “reality”, novelas, humoristas sem graças, shows apelativos e outros. Uma boa oportunidade de estudo de geografia, conhecendo a flora e a fauna de certas regiões.

Vale conferir.

O “GOMO DOS ANJOS”

(O gominho da mexerica)

Tradição que se vai.

As crianças da minha época infantil, há 70 anos passados, cultivavam uma tradição que vinha de séculos. Sim, o menor gomo da mexerica pertencia aos anjos – jamais deveria ser consumido – caso contrário, quem o fazia, furtava dos Santos Anjos de Deus. O tal gomo deveria ser colocado no muro ou no mourão da cerca; os anjos viriam se saborear, deixando suas bênçãos a quem lhe dera da fruta. Portanto, criança nenhuma queria perder esta bênção. Os pais assim ensinavam e incentivavam.

Pela tarde, era costumeiro ir ao muro ou ao mourão verificando se o anjo viera. Encontrava-se, claro, só o bagaço, deduzindo que o anjo se servira e a bênção viria. Ficavam, sim, alegres e felizes.

Como crianças não raciocinavam que o sol o destruíra, ou um pássaro dele se aproveitara, mormente quando nada era encontrado.

Hoje, sei que a tradição se perdura, apesar de perder força.

Sim, esta semana fiz algumas pesquisas junto a diversos pais, e até mesmo com algumas crianças, que apesar das mudanças de hábitos, ante a não existência de muros ou mourões ou de cercas em condomínios ou casas “single”. Mesmo assim, muitos casais, passam aos filhos essa tradição lúdica.

Não satisfeito com a pesquisa de campo, fui a “internet”, consultando vários sites culturais, mas, nada encontrei. Estranho! Nenhum deles trazia essa informação ou relatos dessa tradição lúdica. Encontrei, todavia, de Anaís Fernandes, um estuo sobre algumas curiosidades da mexerica. Pensei que ela mencionaria, mas nada falou.

Diz ela, o próprio nome da fruta gera discórdia: Muitos a chamam de berganata, verganata, laranja cravo, mimosa, mandarina, tangerina do rio (De Tânger, cidade do Marrocos).

Seu nome científico é “cristus reticulata”, da família da Rutaceae.

Originária da Ásia (Índica e China) foi, na Idade Média, levara para o Norte da África (Tânger) e de lá para o Sul da Europa, chegando ao Brasil em 1817.

Consumida “in natura, encontrando-na como doces, geleia, sorvetes, óleo e ração.

Possui de 9 a 13 gomos. Rica em vitamina C (Ácido ascórbico); traz grandes benefícios a quem dela faz uso contínuo: Melhora o sistema imunológico. Suas fibras auxiliam a digestão. O potássio faz bem à saúde cardíaca.

É também usada como chá, um poderoso calmante e que alivia o estresse; combate o resfriado.

A China é o maior produtor mundial dessa fruta, contribuindo com 53% da produção mundial.

Não encontrei, nem mesmo a razão da existência desse gominho na mexerica.

Acredito, entretanto, ser o primeiro, na internet, a registrar a tradição do “gomo dos anjos”, que, segundo meu pai, é que através dessa brincadeira, ensinava-se, desde cedo, a solidariedade, o sentido de partilha, a existência dos anjos, sobretudo o “anjo da guarda”, o respeito ao sobrenatural, espiritual.

ERROS JURÍDICOS EM NOVELAS

As novelas brasileiras sempre exibiram, em suas histórias, casos e situações jurídicas. A verdade é que os autores não consultavam especialistas, copiando procedimentos de filmes norte-americanos, onde as leis processuais divergem da brasileira. Hoje, felizmente, isso vem acontecendo, mas, mesmo assim, alguns erros ou enganos são exibidos, talvez até para não prolongarem os capítulos truncam procedimentos.

A novela que está em pauta momento é “O outro lado do paraíso”, crescendo em público a cada fase. E não tem sido diferente. A trama de desenvolve no belo Estado do Tocantins, mais precisamente no Jalapão (referência a Jalapa, fruto. Maravilhosa região nas proximidades de Palmas, a Capital, além do Rio Tocantins, ou seja, sua parte oriental, extendendo-se até os limites do Estado do Maranhão. Nela estão os Municípios Mateiros, São Felix do Tocantins, Lizarda, Novo Acordo, Santa Tereza do Tocantins, numa área total de 34 mil quilômetros quadrados. O único local do mundo onde é nativo o “capim dourado” próprio para belíssimos artesanatos que são vendidos até no exterior e com grande procura; além da “seda de buriti” (fibras do buriti, que auxiliam a confecção das peças com capim dourado), fonte de renda para as comunidades locais. Banhada pelos rios Sono, Soninho, Novo, Balsas, Preto e Caracol que formam belas lagoas. Lá se encontram ainda, a comunidade de Mumbucas, onde residem os descendentes de escravos que fugiram da Bahia. Em suas matas caracterizadas por cerrado, vegetação rasteira e campina, encontram-se veados-campeiros, tamanduás, antas, capivaras, lobos-guará, raposas, gambás, macacos, jacarés, onças e diversas espécies de cobras, ainda aves como tucanos, papagaios, araras, seriemas, emas e urubus)

Em Palmas, há, sim, um Fórum (1a. Instância da Justiça Estadual) e o seu Tribunal de Justiça (2a. Instância). A novela dá a transparecer que Fórum e Tribunal são a mesma coisa, o que não é. O Juiz Gustavo (Luis Melo), Juiz da 1a. Instância, atua no Fórum; é um tanto quanto corrupto, aceita, a pedido de Sofia (Marieta Severo), interditar Clara (Bianca Bin), internando-a num Hospício, numa ilha próxima à cidade de São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo, mas, ela foge. Auxiliada pelo advogado Patrick (Tiago Fragoso) quer anular a interdição, levantando-a. Encontra no Fórum, a Juíza Raquel que era artesã. Ela veio à cidade para trabalhar e estudar, tornando-se empregada doméstica do Juiz Gustavo e sua mulher Nádia (Eliana Giardini), sendo demitida. Raquel vai a luta, vende artesanato feito pela mãe, estuda, se forma, faz concurso para Juiz e passa em primeiro lugar. Clara, então professora na dita comunidade quilombola, conhecera Raquel, agora Juíza. Ela recebe, em seu gabinete, o advogado de Clara e o ajuda a encontrar o processo original na interdição. Pasmei, ela se dá a esse trabalho? Juiz não faz busca de processo para advogado, a ele é quem cabe procurar o Cartório, no caso o Distribuidor. Vá lá, tudo bem, pode raramente acontecer. Diz ela, após examinar o feito do seu colega, que encontrou diversos erros jurídicos e processuais (não houve intervenção do MPE, laudo psiquiátrico passado por um único médico, sem junta médica oficial do Estado ou juramentada; a interditada não fora citada (chamada) a se defender mesmo pelo advogado nomeado. Aí, a Juíza lhe diz para ele providenciar um “Laudo Psiquiátrico” que ela levantaria a interdição. Mais uma Juiz nunca diz ao advogado como ele deve proceder. Patrick volta ao Rio, “convoca” uma “Junta” de médicos psiquiatras que lhe passa o Laudo, como disse, sem valor jurídico (servindo apenas como início de provas). Volta a Palmas, entregando o Laudo pessoalmente nas mãos da Juíza Raquel, ela o junta nos autos e prolata a decisão… Caí de costas.!

Primeiro, no Estado de Tocantins, os processos não são de autos físicos, sim “eletrônicos”, “virtuais” – pelo computador. Cada advogado que queira lá prestar serviços, deve ter sua “senha” e “assinatura digital” (Tenho a minha). Caberia, agora, no caso inverso, que o advogado requeresse (Apresentasse a petição) eletronicamente na Vara do Juiz Gustavo (Não houve redistribuição) e não com a Juíza Raquel, de outra Vara. A Requerente da dita interdição, agora Requerida (Ré) Sofia, seria citada (chamada) a contestar o pedido; haveria que se intimar obrigatoriamente o MPE (Promotor) que emitira o seu parecer; Clara seria examinada pela Junta Médica oficial ou juramentada. Poderia até ser ouvida em Juízo. Esse, sim, seria o caminho. Entretanto Raquel junta o pedido, o laudo e despacha, fugindo ao rito processual, cometendo os mesmos abusos do seu antecessor. Você dirá que o Juiz Gustava praticara corrupção. Sim, mas, nenhum Juiz, embora corrupto, cometeria tal erro, posto que visível e palpável, prova documental incontestável aos olhos de um Juiz Corregedor. O Erro da Juíza Raque, também ficou no mesmo patamar.

A história contém ainda outros erros, diga-se, como a “soltura de Sofia”. Novela é fonte de laser, que pode tornar-se elucidativa e educativa.

CINQUENTA ANOS DE GOIÁS

(04.01.1968 – 04.01.2018)

Esta semana, para mim e Suely, está sendo de muita alegria. Completei cinquenta anos de vivência em Anápolis. Aqui cheguei em 04 de janeiro de 1968, vindo de Mococa, Estado de São Paulo, depois de terminar o Curso Colegial de Professores Primários na minha querida Amparo, Estado de São Paulo. Passei por Uberlândia (21.12.1967), em casa de uma tia – Olga – irmã de meu pai. Na realidade, quando lá cheguei, tinha outro sonho, engajar-me na “Marinha Mercante”, mesmo que fosse para descascar batatas: jovem, bom nadador, destemido, aventureiro, forte e sadio, trazia, de São Paulo, uma carta, para apresentar-me em Recife, razão da trajetória que faria: Campinas, Uberlândia, Brasília e Recife. Silas, meu primo, advogado e economista, não gostou nada da história, convencendo-me.

Disse-lhe então, que iria para Campo Grande, MS. Lá trabalharia e estudaria advocacia. Novamente não concorda; conta com o apoio de meu pai que pede-lhe impedir-me dessas “loucuras”. Diz-me, então, que em Anápolis, Goiás, estava abrindo uma Faculdade de Direito; conseguira, inclusive, trabalho numa empresa de um seu cliente, a TUL, especializada em transportes de medicamentos; ela servia a linha Belém-Brasília. Era o dia 23 de dezembro de 1967. Apresentei-me na Empresa. Fui contratado.

Confesso que vim esperançoso, mas temeroso de que a tal Faculdade não existia. Era uma manhã radiosa; um belo sol surgia, quando o Inspetor (Álvaro) que viera empossar-me, desceu a estradinha, hoje Avenida Brasil Sul, então acanhada, podendo ver lá do alto uma boa parte de uma pequena cidade. Eram sete horas da manhã de uma quinta-feira, quando aportei-me na Rua 14 de julho, esquina com a Conde Afonso Celso, em um grande armazém, com um pequeno escritório bem aparelhado. Fui recebido com desconfiança; era alguém enviado pela Matriz, um “olheiro”. Assumi como “Auxiliar de gerente”, na realidade um “estagiário”; não sabiam, que eu deveria ser, mais tarde, o gerente, fato que logo veio acontecer.

Naquela mesma manhã, informei-me, confirmando, sim, que haveria Exames Vestibulares para a “FADA” – Faculdade de Direito de Anápolis (Raiz da UNIEVANGÉLICA), Primeira Turma. Animei e fui procurar onde morar, encontrando vaga como “mensalista” no Pálace Hotel, Praça Bom Jesus; bom salário, morar bem é essencial.

Viajei pela Belém-Brasília, e ramificações, de Anápolis a Imperatriz, Maranhão, em serviço de “Relações Públicas”, conhecendo os usuários, ouvindo reclamações e sugestões. Fui a Goiânia e Brasília, conhecer suas agências e funcionários.

Naquele mesmo ano, era aprovado (32o lugar, em 120 vagas – Publicação em “O ANÁPOLIS”, cujo exemplar, ainda guardo). Ótimo! Era agora, Acadêmico de Direito.

Na Semana Santa (Recesso escolar), quarta feira, fui ao Cinema (Vera Cruz, Rua 07 de Setembro), estava só. À minha frente, na fila para o ingresso, uma bela loira, escultural, olhos de mel esverdeados, cabelos dourados, lisos e cumpridos que desciam pelas costas; levemente maquiada, elegantemente vestida: botas pretas, calça amarela e blusa branca, casaco vermelho (fazia frio). Olhei a menina de alto a baixo e disse para mim mesmo: – “Vai ser a nora da Vinícia”. Joguei a “isca”, chamando-a de Silvia, ingenuamente corrigiu: Suely! Pronto, a menina caíra; “encontros” se seguiram. Agora, ao lado de dois belos filhos (Rafael e Frederico), comemora comigo esta grande e feliz data.

Hoje, rio do sonho de ser marinheiro. Que Marinha Mercante que nada! O desejo de conhecer o mundo foi realizado sem precisar descascar batatas, lavar convés, fazer e desfazer nós, lançar cordas, limpar máquinas, jogar cartas, brigar em Portos.

Obrigado Silas!